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Notícias

Logística de autopeças prevê crescer até 40% este ano

14/09/2010

Empresas de logística que transportam autopeças e pneus estão otimistas quanto à recuperação da indústria, e projetam um crescimento de demanda de até 40% até o final do ano. Entretanto, relatam que a escassez de caminhões à venda, a carência de mão de obra especializada e a falta de insumos automotivos inibem um crescimento maior.

De acordo com a empresa TNT Brasil, apesar dos problemas que a logística passa, o setor rodoviário não sofrerá colapso. Já a empresa Gefco Logística do Brasil, que é subsidiária do grupo PSA Peugeot Citroën, espera um crescimento de até 30% este ano, e fecha parcerias com pequenos e médios transportadores para atender à crescente demanda.

Com a previsão do setor de reposição automotiva de fechar o ano com crescimento de 9,5%, segundo o Grupo de Manutenção Automotiva (GMA) -formado por Sindipeças, Sicap, Andap, Sincopeças-SP e Sindirepa-SP-, o setor logístico responsável pelo transporte de autopeças está preparado para o aumento da demanda. A empresa TNT, que possui atualmente 2.500 caminhões em sua frota, se diz preparada para o aumento da demanda do setor automotivo, e calcula que crescerá 40% este ano. "Em relação ao transporte de autopeças, tivemos um crescimento grande neste primeiro semestre, e, como havíamos nos preparado antes, com expansão de frota e filiais, não sentimos nenhum problema", comentou o diretor de Marketing da TNT, Ricardo Gelain.

Gelain contou que no período da crise econômica global, que se iniciou no final de 2008, a empresa apostou em uma rápida recuperação da economia, e continuou a investir na ampliação da frota e no número de centros de distribuição, e hoje está preparada para aumentos de demanda. "O que sentimos é uma preocupação dos clientes em garantir o serviço. Muitos nos questionaram sobre a nossa preparação para o aumento do volume de carga. Com isso, buscamos informações e montamos um plano estratégico para cada cliente", afirmou ele.

Outra empresa que também sentiu o impacto da fase vivida pela indústria automobilística é a Gefco, que acredita que o setor de autopeças pode chegar ao limite de produção. "Mesmo que as indústrias anunciem que irão dobrar a produção, isso levará algum tempo, mesmo porque a capacidade instalada também está quase no limite. Então o problema não é de logística de transporte, mesmo porque nós estamos preparados", disse o diretor de Operações, Luiz Alcântara.

A Gefco prevê faturar R$ 300 milhões este ano, ante R$ 240 milhões do ano passado, e acredita que o aquecimento do setor automobilístico se estenderá até o começo de novembro. Segundo Alcântara, no primeiro semestre deste ano a empresa movimentou com clientes fora a PSA, 55% a mais que em 2009, e no transporte internacional o volume transportado superou a marca de 200% a mais. "Ao contrário do movimento normal do setor automobilístico, que nos seis primeiros meses do ano tem um movimento mais forte, vimos um movimento muito alto em julho e agosto deste ano. Acredito que o setor deve ir até novembro com um forte crescimento", acrescentou Alcântara.

Gargalos
Dentre os gargalos apontados pelo estudo da Associação Nacional de Transporte de Cargas e logística (NTC&Logística) para o setor, 47,5% das empresas apontaram a falta de mão de obra, de veículos e de insumos como os maiores limitadores de crescimento; a falta de motoristas e ajudantes totalizou 29,2% das reclamações. O estudo também mostrou que em 54,3% dos casos as empresas logísticas deixaram de atender clientes por falta de caminhões ou motoristas.

Para o diretor de Marketing da TNT, o único problema à vista é o da falta de mão de obra especializada para guiar os caminhões, que estão com mais recursos a cada ano. "A mão de obra é um tema bastante delicado em nosso setor: se nada for feito para qualificar motoristas, a logística pode sofrer algum impacto. Quanto aos caminhões e insumos, nosso problema é menor, mas existe", garantiu Gelain.

Para o executivo da Gefco, tanto a falta de caminhões quanto a de peças automotivas e de mão de obra são problemas pontuais. "Estamos enfrentando muitas dificuldades para conseguir mão de obra especializada, pois os caminhões evoluíram, mas os motoristas não, e isso complica bastante nosso cenário. A falta de pneus para nossos caminhões também está dificultando as coisas", frisou Alcântara.

A empresa, que possui aproximadamente 420 veículos, apostará este ano em novas parcerias para suprir o aumento da demanda. "No final deste ano, não iremos ampliar nossa frota, vamos criar novas parcerias com transportadoras de pequeno e médio porte, garantindo os investimentos deles com transportes para um ou dois anos", disse.


Fonte: DCI - SP

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